Manifesto da Marcha das Vadias em Natal
24/05/2012 às 23:12:26
No dia 26 de maio, a Marcha das Vadias sairá em vários Estados do Brasil, com todas as forças que pulsam da indignação, no combate à todo tipo de violência contra ás mulheres, seja simbólica, subjetiva , psicológica ou física. Indignação pelos 15 mil estupros que acontecem todo ano no Brasil, pela STJ ter inocentado um homem pelo estupro de três meninas de 12 anos, alegando que já se prostituíam, culpabilizando mais uma vez as vítimas de violência, pela capacidade de homens planejarem o estupro coletivo de seis mulheres como "presente de aniversário". Esses são os emblemáticos casos recentes de violência contra as mulheres, mas a lista não para de crescer e o feminicídio se consolida como uma chaga na sociedade brasileira.
Aqui em Natal, estamos indignad@s com o duplo homicídio, que ceifou a vida de mãe e filha em Nova Parnamirim, brutalmente torturadas antes de serem mortas. De acordo com dados do Instituo Sangari, a capital potiguar a ocupar o 10º lugar dentre as capitais nas quais mais ocorrem homicídios femininos. A situação em Natal é ruim, mas a de Mossoró é bem pior. Na "capital do Oeste", em 2010, foram assassinadas 14 mulheres, fazendo com que a cidade alcançasse um índice de 10,4 homicídios para cada 100 mil mulheres. Ao somar o número bruto de homicídios femininos em Natal e Mossoró, temos nada menos que 34 assassinatos. Ou seja, nas duas cidades matam-se mais mulheres do que em todo o restante do Rio Grande do Norte.
O mais chocante nas análises desses dados é que os crimes, muitas vezes maquiados de "crimes passionais", como se a "paixão" pudesse justificar tamanha crueldade, acontecem dentro das próprias residências das vítimas, marcados pela busca por territorializar a mulher, encarando-a como uma propriedade privada pertencente ao homem.
É fato também que a forte cultura patriarcal presente na nossa região e Estado produz sonoridades que agridem à representação da mulher na sociedade, colocando-a como produto, no qual homens podem pagar com cartões, roupas e carros. Não é silenciando e sendo cúmplices dessa cultura que iremos lutar por dignidade e respeito, muito menos culpabilizando as vítimas, mulheres que se colocam na condição de objeto em razão de um sistema opressor, que iremos unir forças contra o machismo, o racismo , a lesbofobia, a misoginia e ao sexismo.
Nosso Corpo é nosso território, portanto, não precisamos sentir culpa ou vergonha ao expressarmos nossos desejos, ao nos vestirmos como quisermos, ao nos colocarmos como mulheres que se relacionam afetivo e ou sexualmente com outras mulheres, e, portanto isso não dar o direito de sermos violentadas e usarem nossa liberdade como justificativa para estas violências que nós mulheres sofremos.
Por esses e outros tantos fatores que cerceiam a liberdade das mulheres, a Marcha das Vadias Natal, em sua terceira edição, exige e cobra por respeito à todas as mulheres, em qualquer condições, sejam elas mães que precisam de creches como condição para sua liberdade, seja para as que não podem ter filhos e mesmo assim são obrigadas a tê-los.
Marchamos em Natal e no mundo todo pelo fim de todas as formas de exploração do corpo e da vida das mulheres. Marchamos também pela legalização do aborto e por todos os direitos sexuais e reprodutivos. Também é pelo padrão branca-jovem-hetero que a sociedade machista impõe, cerceando a liberdade e a diversidade de quem quer e deve ser o que se é. Pretendemos construir junt@s essa luta, contra qualquer tipo de violência contra as mulheres, sejam elas: negras, brancas, rurais, indígenas, ciganas, urbanas, intelectuais, domésticas, lésbicas, quilombolas... Marchamos por nós, por todas e pelas outras, à favor da liberdade e igualdade de gênero como condição para a democracia.
Sábado, 26 de Maio, 9h
Praça Gentil Ferreira (Relógio) rumo a Feira do Alecrim
A Marcha das Vadias teve inicio no Canadá em resposta a conduta machista de um policial. Este declarou que as mulheres eram vítimas de ataques sexuais, pois se "vestiam como vagabundas". A partir do fato, inúmeras manifestações surgiram em todo o mundo. No Brasil, a cidade de São Paulo foi a primeira capital brasileira a organizar a Marcha, seguidas das cidades do Rio de Janeiro, Recife, Natal, Fortaleza, Brasília, Salvador e outras. As mulheres saíram às ruas com o objetivo de reafirmar a autodeterminação sobre os seus corpos e para combater essa sociedade que as educa para não serem estupradas, porém não ensina a NÃO estuprar.
Em Natal, já organizamos uma Marcha ano passado e foi um sucesso! Este ano, marcamos o Dia Internacional da Mulher com mais um ATO/MARCHA e por todo o Brasil, articulamos a Marcha Nacional, onde cada cidade fará uma, todas no dia 26 de maio!
Coletivo Marcha das Vadias
Você também pode contribuir para o fim da violência contra a mulher.
Cada pessoa pode fazer a diferença, contribuindo com a manutenção de nossas ações!
